
trabalho efectuado sobre fotografia de Max Master
Masturbação
Eis o centro do corpo
o nosso centro
onde os dedos escorregam devagar
e logo tornam onde nesse
centro
os dedos esfregam - correm
e voltam sem cessar
e então são os meus
já os teus dedos
e são meus dedos
já a tua boca
que vai sorvendo os lábios
dessa boca
que manipulo - conduzo
pensando em tua boca
Ardência funda
planta em movimento
que trepa e fende fundidas
já no tempo
calando o grito nos pulmões da tarde
E todo o corpo
é esse movimento
que trepa e fende fundidas
já no tempo
calando o grito nos pulmões da tarde
E todo o corpo
é esse movimento
em torno
em volta
no centro desses lábios
que a febre toma
engrossa
e vai cedendo a pouco e pouco
nos dedos e na palma
Maria Teresa Horta - "

foto: alexey naumov
Desvio dos teus ombros o lençol
que é feito de ternura amarrotada,
da frescura que vem depois do Sol,
quando depois do Sol não vem mais nada...
Olho a roupa no chão: que tempestade!
há restos de ternura pelo meio,
como vultos perdidos na cidade
em que uma tempestade sobreveio...
Começas a vestir-te, lentamente,
e é ternura também que vou vestindo,
para enfrentar lá fora aquela gente
que da nossa ternura anda sorrindo...
Mas ninguém sonha a pressa com que nós
a despimos assim que estamos sós!
David Mourão Ferreira

foto: massbrutt
Outono de versos caídos
E de folhas deitadas.
De palavras e vozes
Que sopram suave
Os rumores do teu corpo.
Tempo de terra húmida
Mas seca e ferida de desejo
De um tempo de lágrimas
Molhadas e sonhadas
Como gotas de chuva
Que invadem o teu rosto.
És Outono efémero
Que entra nas águas perenes.
A tua força é perpétua
Que resiste
Transforma
Arrepia.
É Outono.
E com ele bebes o elixir
Que te prepara para o festim
Onde despida
Te entregas
E em mim mergulhas
Matando a sede
De mil beijos
Desta paixão.

foto: lucien clerge
Escreves linhas suaves
Como os seios no teu corpo
Se transformam em dunas
De traços suaves e delicados.
Com o vento vem o silvo
Das tuas palavras murmuradas
No silêncio do beijo
Que as nossas bocas sussurram.
No teu corpo leio um poema
Feito de ondas de um Mar
Que ao poente nos contempla
E no nosso horizonte renasce.
Como areia fina
Que entre os dedos escorre
No teu corpo salivado
Sacio a sede de um afecto.
E o Mar
Ah, o Mar
Enlaça o teu espírito
Feito torso
Feito Mulher.

foto: rossana cagnolati
No teu peito
é que o pólen do fogo
se junta à nascente,
alastra na sombra.
Nos teus flancos
é que a fonte começa
a ser rio de abelhas,
rumor de tigre.
Da cintura aos joelhos
é que a areia queima,
o sol é secreto,
cego o silêncio.
Deita-te comigo.
Ilumina meus vidros.
Entre lábios e lábios
toda a música é minha.
Eugénio de Andrade

foto: jvd
"Faz-se luz pelo processo
de eliminação de sombras
Ora as sombras existem
as sombras têm exaustiva vida própria
não dum e doutro lado da luz mas do próprio seio dela
intensamente amantes loucamente amadas
e espalham pelo chão braços de luz cinzenta
que se introduzem pelo bico nos olhos do homem
Por outro lado a sombra dita a luz
não ilumina realmente os objectos
os objectos vivem às escuras
numa perpétua aurora surrealista
com a qual não podemos contactar
senão como amantes
de olhos fechados
e lâmpadas nos dedos e na boca"
Mário Cesariny

foto: john
"Como a palmeira jovem
que Ulisses viu em Delos, assim
esbelto era o dia
em que te encontrei;
assim esbelta era a noite
em que te despi,
e como um potro na planície nua
em ti entrei."
Eugénio de Andrade

foto: luc selen
Vê como o verão
subitamente
se faz água no teu peito,
e a noite se faz barco,
e minha mão marinheiro.
(eugénio de andrade)
Bom fim de semana.

foto: manfred schneider (danke dir)
Quase num momento de fuga
Em que teus olhos são súplicas,
Lanço-te um beijo furtivo
Respondes-me com o teu corpo
Segredo-te a paixão
Abres-me o ventre
E o teu suor transforma-se
Em gotas no arco-íris.
Espreito teus seios
Que me ofereces,
Acaricio e beijo.
E na chama que solto
Teu corpo explode
E renasce num mar
De carícias e prazer.
… e logo à noite,
quando a brisa ainda quente
encobrir os nossos corpos
suados e derramados.
…quando soltarmos a torrente
de paixão que nos incendeia,
nos transforma num abraço
escaldante e fogoso.
… quando em ti beber o desejo
que vertes e me lanças nos lábios,
que te beijam e invadem.
…logo à noite,
direi apenas as palavras
que o silêncio devora
em chamas de prazer.

foto: tim klaus modelo: kassandra
(ich danke euch beiden)
Na areia deserta
Beijo teu corpo nu
Oceano de cristais
Onde me afogo e penetro.
Mar de repouso
Vagas que me envolvem
Maré serena e sensual
Em ti me semeio.
Águas de suor
Ondas de volúpia
Fundo-me em ti
Meu cais de abrigo
Farol da minha alma.

foto: john setzler
Subi as escadas. Vagarosamente.
A verdade estaria nua, despida e solitária.
À minha frente e sem que eu olhasse.
Um grito. Uma janela que se abre.
Um sorriso malicioso.
Uma boca a escorrer o veneno do outro.
Sem palavras e um abraço forçado.
Um lamento de mentira e humilhação.
Ao toque da mão destapei-me.
Acedi ao teu pedido.
E entrámos nos lençóis. Sujos e enrolados.
De noites de demência.
Quando os corpos jorram prazeres.
Manchados de luxúria a troco de notas.
Os lábios marcam a cadência, ordenada.
Depois desgovernada a boca circunscreve.
Faz crescer a ânsia e encerra-se.
Em círculos e humidade.
Mais uma nota e posso trepar.
Cobrir-te com o meu corpo desejoso.
Do teu sexo que lavas e enxugas.
À espera do freguês que indemnizará.
Com leite e dinheiro a puta de vida
Que escolheste para matar.
Com pão a fome do teu filho.

foto: palek
Corpo deitado
Furtado
Delicado
Corpo suado
Molhado
Amado
Corpo cantado
Sugado
Encharcado
E em teu corpo
Delirado
Enrolado
Penetrado
Deito o meu corpo
Deliciado
Salivado
Excitado.

foto: udo starshooter
Sorriu.
Jogou-lhe duas palavras simples.
Ele aceitou o desafio.
E estendida entre os lençóis ouviu-lhe a poesia.
As letras soltaram-se, enquanto o seu corpo se estirava no leito onde permanecia o aroma das horas de afecto.
Ainda os versos não absorviam os entusiasmos e já ela se transpunha.
As palavras soavam-lhe agora ao tacto subtil dos seus dedos em carícias ardentes que a levavam ao deslumbramento.
Antes que a palavra final explodisse em ecos, soou no quarto o tremor dos corpos que em esplendor se fundiram.
E do acto cresceram estrofes entoadas entre sussurros soltados e derramados como suor.

foto: joão espinho
Da leitora Maria Rita:
"MAR!...
Imenso e profundo!
É um aberto poema que ressoa
no vazio búzio do vasto areal...
Quem pudera ouvi-lo,sem mais versos,
assim ouro,azul,assim salgado.
Milagre horizontal...universal...
numa só palavra realizado:
MAR!..."

foto: jean christophe périé
É Verão!
Nos teus olhos o brilho
De um Sol que em ti vive.
Na tua boca
As palavras e as noites
São poemas respirados
E do teu corpo, da pele
Os aromas são inflamados.
Os teus lábios beijam
Os meus dedos que provam
A carne dos teus seios
E devoram o teu corpo
Que espreito e descubro.
E quando me apertas
Num abraço estreito
E nossos corpos num nó
Se enlaçam e cativam
A Lua renasce e com ela
O fervor de uma paixão.
É Verão!

foto: martin zurmühle
Na tarde quente
Sorriste
E dos teus lábios
O sussurro enunciado
De uma paixão
Ardente.
Junto ao mar
Provaste o sal do meu corpo
Bebeste o suor da minha pele
Tomaste a carne do meu ser.
Por entre as ondas
Olhaste o horizonte
Falaste à Lua
E num murmúrio
O Sol deitou-se
No leito do teu orgasmo.
Na tarde quente
O teu corpo desenhou
Um Mar de reflexos
E na areia ficaram
Em mil cores
Os sulcos da minha paixão.
ADEUS
Já gastámos as palavras pela rua, meu amor,
e o que nos ficou não chega
para afastar o frio de quatro paredes.
Gastámos tudo menos o silêncio.
Gastámos os olhos com o sal das lágrimas,
gastámos as mãos à força de as apertarmos,
gastámos o relógio e as pedras das esquinas
em esperas inúteis.
Meto as mãos nas algibeiras e não encontro nada.
Antigamente tínhamos tanto para dar um ao outro;
era como se todas as coisas fossem minhas:
quanto mais te dava mais tinha para te dar.
Às vezes tu dizias: os teus olhos são peixes verdes.
E eu acreditava.
Acreditava,
porque ao teu lado
todas as coisas eram possíveis.
Mas isso era no tempo dos segredos,
era no tempo em que o teu corpo era um aquário,
era no tempo em que os meus olhos
eram realmente peixes verdes.
Hoje são apenas os meus olhos.
É pouco mas é verdade,
uns olhos como todos os outros.
Já gastámos as palavras.
Quando agora digo: meu amor,
já não se passa absolutamente nada.
E no entanto, antes das palavras gastas,
tenho a certeza
de que todas as coisas estremeciam
só de murmurar o teu nome
no silêncio do meu coração.
Não temos já nada para dar.
Dentro de ti
não há nada que me peça água.
O passado é inútil como um trapo.
E já te disse: as palavras estão gastas.
Adeus.
Eugénio de Andrade

foto: mikhail paramonov
A manhã rompe o horizonte
nos primeiros raios de um Sol
que te desperta, te agita.
Uma breve aragem passa
Suave,
É uma brisa que
inunda o teu corpo,
Que se agita.
O mar acorda da noite
Tranquila e sem Lua,
Sai da penumbra
Para beijar o teu corpo
Que cobres com um manto
Vermelho, inflamado.
O céu agora é azul
Os raios penetram na terra
Acariciam-te o rosto, o peito
E descobres o corpo
Deixando que o manto incendiado
Resvale na maré cheia
Deixando-te nua numa praia
Onde as gaivotas desenham
Nuvens de encanto e prazer.

foto: tommy edwards
Chegas na noite
Num sonho sem princípio.
Quando me abraças
Sinto teus beijos húmidos
Lançados na minha carne
Que te responde em fervor.
No calor da noite
Afastas o linho e sinto-te
O suor e o prazer.
Dentro de ti derramo
Os sonhos sem princípio
E na minha entrega
Devolves-me o teu corpo
Que tomo, que desejo
Que penetro.

foto: ralf mueller
És um poema de amor
Que soletro letra a letra.
És a palavra que declamo
E que ecoa numa escadaria
Em que pisas os poemas
Feitos de rosas e espinhos.
És a sílaba ardente
Que trago nos lábios
E recito entre as frases
Dos poemas da calçada.
És o leito do meu olhar
A boca do meu sentir
O tecto da minha alma
A pétala rubra desta paixão.
És um poema feito Amor!
(para ti, porque também a tarde foi feita de poesia, rosas encarnadas e amor)

foto: juergen kampa
No teu corpo
deixarei as marcas
de beijos ardentes
como hoje a lua cheia
deixará sinais
na alma dos amantes.

foto: torsten brandt (adaptação)
Invadiste-me os sonhos
Deste final de tarde
E com um sorriso
Beijaste-me.
No sonho abriste os teus braços
Que me envolveram
Como os teus lábios
Me tocaram, me aqueceram.
O sonho estende-se
E no teu olhar a luz
No teu corpo a penumbra
No meu sonho só tu.
Acordei. Olhei-te.
No teu rosto um sonho.
E deixei-me invadir
Por ti,
Pelo teu sonho.

foto: joão espinho
É a esta hora
A que precede a noite
E determina o fim do dia
Em que a cor se esbate
O escuro se insinua
E as sombras se diluem
Que me sinto mais real
Mais conforme o que me rodeia.
Pertenço a esta hora do dia
À hora indecisa
Em que os limites se tocam.
(encandescente)
É nessa hora que respiro
O vento que me abraça
E sinto a melancolia escapar
Para um horizonte no infinito.
É a esta hora que outra luz
Te recorta em silhueta
Traçando o esboço de mulher,
O traço feminino dos lábios
E nos olhos reaparece o brilho
Que nenhuma noite apagará.
(nikonman)
Uma parceria com a Encandescente.

foto: 4you Pictures (adaptação)
Ouço os teus passos
A porta abre-se
Sinto o teu cheiro
A tua pele macia
O cabelo molhado
Todo despenteado
Teus olhos brilham
Sorris
Espero-te
Vens
Escorregamos os dois no lençol.
poema de wind

Abraço-te
Digo-te em sussurro louco
As palavras
Que desejas
E te incendeiam.
Nos corpos escorrem
Doces os suores
Que provas e tragas
E te inundam.
Com os corpos
Escrevemos na noite
As letras de um poema
Chamado loucura.

foto: alberto monteiro
Apetece-me a tua pele
Sentir-lhe o arrepio
Quando te toco
E te entregas.
Dás-me a tua pele
Que visto
Quando te envolvo
E te invado o interior.
Dou-te a minha pele
Que se entrega a ti
Nesse momento
Em que a carne
Despida e nua
Explode de êxtase.
Manhã de Primavera.
Sol intenso.
Ofereço-lhe duas flores colhidas de um vaso.
Diz-me "Amo-te".
Sei porque não quero o sabor doce dos reencontros das paixões perdidas algures no tempo.
E que se retomam. E que se dizem ainda mais fortes.
Não disfarço o brilho dos meus olhos.
É contigo que quero estar.
Não te quero perder.
Não te quero reencontrar.

foto: patrick surmachoff
Trazes-me as palavras
Que julgava mortas
A expressão de um sorriso
Que pensava não existir
Os beijos
Que havia esquecido.
Da tua boca
Soltam-se as imagens
De um horizonte que
tocado pelo Sol
explode em mil cores.
Da tua boca
A saliva da minha paixão.
Dou-te o meu corpo
Que fazes transpirar,
Ofereço-te o meu desejo
Que transformas em excitação.
Envolves-me
Nesse abraço de um só corpo
E dentro de ti exclamo
O calor da minha paixão.

Lido no Erotismo na Cidade:
- Espera, eu dispo-te.
Aproximou-se, os braços caídos como os dela.
Tocou-lhe as mãos, subiu pelos dedos, tocou nos pulsos onde as mangas terminavam.
Encostou o corpo ao dela. Puxou para cima a camisola que ela vestia.
Tapou-lhe o rosto.
Olhou-a assim, semi despida. O rosto tapado.
Ela sentia o olhar.
Esperava o toque que ele fazia demorar.
Quando lhe tocou, a pele dela explodiu em arrepio.
Com a mão aberta acariciou. Brincou com o umbigo. Explorou-lhe o peito.
Olhava atentamente.
Abriu-lhe os braços, levantou-os para ver, tocar, beijar.
Cobriu a pele dela com o desejo quente que sentia.
Tirou-lhe as calças. Ajoelhou-se.
Descalçou-a. Beijou-lhe os pés. Subiu nas pernas, no corpo.
Ela parada, os olhos fechados por detrás da camisola.
Quando ele parou, quando se afastou para a olhar sentiu frio.
Estremeceu.
Ele aproximou-se. Colou a pele à dela.
Desnudou-lhe os olhos.
Com o olhar penetrou-a.
E com o corpo a vestiu.

foto: joão espinho
... que me aquecem
e me tocam o corpo
e me fazem rodar sobre ti
lançando-me numa espiral
de prazer e loucura.
... que me provocam
quando, em silêncio,
me agarram e me levam
a sentir-te mais mulher,
mais tu
mais nós!
No teu rosto encontrei uma expressão.
Suave, leve, mágica.
Nenhum quadro a pode desenhar
Em nenhuma imagem a registo.
Perco-me no teu olhar,
no teu sorriso...
suave,
leve e
mágico.

foto: joão espinho
"Só queria deitar-me sobre ti
aninhar-me no teu peito denso
cativá-lo na necessidade das mãos
prendê-lo à gula dos olhos
Só queria deitar-me sobre o teu cansaço
e contê-lo no meu abraço
comunicar-te no silêncio do toque
tudo aquilo que me leva a desejar-te
...a precisar-te tão perto
a cada dia...mais um dia
sentires a promessa de um 'para sempre'
no meu corpo do teu lado...quente"
Lido no Come away with me. Obrigado Mood.

foto: markus s.
E quando com a língua em fogo
Me derretes o desejo
E depois
Te debruças para que em ti
Lance a chama desse desejo
Nesse momento em que te olho
E dos lábios se libertam beijos
É sim, nesse instante,
Que do corpo se soltam
Os silêncios
As imagens
As cores
De um oásis de prazer.

foto: gereon mueller (adaptação)
(...)
O dia de hoje
Cinzento e com vento
Veio trazer mais terra
E alimento
Para que o alicerce
Da nossa paixão
Se transforme em raízes
Sólidas e eternas.

Esta noite apetece-me
Ler e só ler.
Até que o Sol desponte
E me abra os olhos
Onde as letras que escreves
Desenham o sorriso
Das manhãs de Primavera.
E quando os primeiros raios
Despontarem no horizonte da madrugada
Não quero ler mais.
Quero, sim, quero
Ouvir a tua boca sussurrar
As palavras que pintam
A aguarela dos meus sonhos.

foto: michael boerm
Olhar-te e sentir
Que o teu corpo é uma alameda
De sensualidade
Onde os teus cabelos
São as folhas de uma árvore
Em forma de torso
Que do teu corpo exalam
Línguas de fogo que brotam
Flores de prazer
Que me abraçam
Que me beijam
E em explosão faminta
Me bebem a saliva
Nua de um corpo endurecido
Onde a volúpia me acontece
Nessa alameda que é o teu corpo.

foto: e. was
Entregas-me o teu corpo
E como num fruto
Alimento-me do teu sabor
Bebo o teu néctar
Trago o teu prazer.
Devolvo-te a minha pele
E do suor fazes açúcar
Da minha carne o teu proveito.
É a paixão que nos incendeia
Nascida de uma mesma árvore.
Porque eu e tu
Somos um só fruto!
E foi há segundos que te conheci
E era Primavera e já passaram
Horas, dias e meses
E parece que são anos e o tempo
Esse
Também passa e agora é Primavera.
Quantas estações passaram
Desde o minuto em que te olhei
Nem sei se são dias ou meses
Ou talvez anos
De um tempo sem estações
Sem dias nem horas nem minutos.
E nesse dia em que era Primavera
Não olhaste o relógio
Não sentiste passar o tempo
E a estação passou e é Verão, Outono
E o Inverno lá longe derramou lágrimas
Que o tempo apagou e hoje é Primavera!
Olho-te, hoje!
E sei que o tempo passou.
E outra estação virá
E o relógio não se detém
No calendário das emoções.
Hoje, olho-te
E vejo que és a Primavera dos meus desejos.
(Para ti, Madalena, no dia em que celebramos a Primavera e a Poesia)
"Passemos, tu e eu, devagarinho,
Sem ruído, sem quase movimento,
Tão mansos que a poeira do caminho
A pisemos sem dor e sem tormento.
Que os nossos corações, num torvelinho
De folhas arrastadas pelo vento,
Saibam beber o precioso vinho,
A rara embriaguez deste momento.
E se a tarde vier, deixá-la vir
E se a noite quiser, pode cobrir
Triunfalmente o céu de nuvens calmas
De costas para o Sol, então veremos
Fundir-se as duas sombras que tivemos
Numa só sombra, como as nossas almas."
Reinaldo Ferreira

foto: cord boschen (adaptação)
... não significa isolamento
não quer dizer abandono
não é involuntária
não me mete medo
não me faz chorar...
... é quando mais sinto a tua falta.
E mais acredito em mim, em ti, em nós!

foto: joão espinho
"Queria
Que me deixassem, nos deixassem,
Uns instantes
Abandonados como se não existíssemos.
Não fossemos nós
Nem pobres nem ricos
Nem velhos nem novos.
Queria, só,
Que nos deixassem ser
Nós!"

foto: katrin zeidler (adaptação)
Hoje apetece-me navegar no teu corpo
E sentir a pele que te arde em desejo.
Hoje quero beber o suor da tua paixão
E desaparecer nas entranhas da tua volúpia.
Hoje quero-te ainda mais!

foto: Torsten Brandt
tocar o teu corpo
roçar nele os dedos
afagá-lo com as mãos
cheirar a tua pele
com a língua o percorrer
acender o teu desejo
mordiscá-lo, engoli-lo
levar-te à loucura
lentamente, sem pressas
saborear o teu prazer
dentro de mim

foto: Margarida
Saio do quarto para o último cigarro.
Desvio o olhar para a tua silhueta e regresso.
Como no primeiro minuto,
Iniciamos o jogo que nos leva à explosão.
Dos sentidos!

foto: (a partir de original de Jens Rohland)
"Um canto de alegria desprende-se dos meus dedos
quando toco o teu corpo e habito em ti
e a noite não existe
porque as nossas bocas acendem na madrugada
uma aurora de beijos."
Joaquim Pessoa
"De onde chegam estas palavras? "
De onde me chegam estas palavras?
Nunca houve palavras para gritar a tua ausência
Apenas o coração
Pulsando a solidão antes de ti
Quando o teu rosto dóia no meu rosto
E eu descobri as minhas mãos sem as tuas
E os teus olhos não eram mais
que um lugar escondido onde a primavera
refaz o seu vestido de corolas.
E não havia um nome para a tua ausência.
Mas tu vieste.
Do coração da noite?
Dos braços da manhã?
Dos bosques do Outono?
Tu vieste.
E acordas todas as horas.
Preenches todos os minutos.
acendes todas as fogueiras
escreves todas as palavras.
Um canto de alegria desprende-se dos meus dedos
quando toco o teu corpo e habito em ti
e a noite não existe
porque as nossas bocas acendem na madrugada
uma aurora de beijos.
Oh, meu amor,
doem-me os braços de te abraçar,
trago as mãos acesas,
a boca desfeita
e a solidão acorda em mim um grito de silêncio quando
o medo de perder-te é um corcel que pisa os meus cabelos
e se perde depois numa estrada deserta
por onde caminhas nua.
Joaquim Pessoa

foto: bernadette mcCall's
Enlaço-te numa carícia,
Envolvo-te num abraço ardente,
Os corpos transpiram a vontade
E os beijos desenham um arco-íris.
O vento sopra.
E o intenso luar envolve os nossos lábios
Que sem limites se fundem.
Bebo o teu mel e lanço-me no sonho
Entro no teu corpo
E como um vulcão
Derramo em ti a lava de uma paixão.
A Lua sorri!

foto: Jean C. Périé
Olhei-te nos olhos
Uma e outra vez.
Repetidamente.
E disse-te: “És bonita!”
Foi o que soube dizer
Num momento em que as palavras
Não traduzem a força da paixão.
Depois,
Depois deixámos os nossos corpos
Voar num céu de carícias e abraços
Onde os beijos se dissolveram
Na chama dos corpos exaustos.
Se fosses luz serias a mais bela
De quantas há no mundo: - a luz do dia!
- Bendito seja o teu sorriso
Que desata a inspiração
Da minha fantasia!
Se fosses flor serias o perfume
Concentrado e divino que perturba
O sentir de quem nasce para amar!
- Se desejo o teu corpo é porque tenho dentro de mim
A sede e a vibração de te beijar!
Se fosses água - música da terra,
Serias água pura e sempre calma!
- Mas de tudo que possas ser na vida,
Só quero, meu amor, que sejas alma!
António Botto
Não se esqueçam de amar e ser felizes!

Entre as palavras que trocamos
Não há vírgulas nem espaços cinzentos.
Entre os corpos que se fundem
Não há angústias nem ausências.
Entre ti e mim permanece um destino
Que se reforça em cada abraço, em cada beijo.

(...)
Beijas-me a face
E o meu corpo estremece,
Entrego-me
E ao contemplar-te
Sossego o meu olhar no teu.
As palavras traduzem o momento
Os gestos acompanham as palavras
E nos corpos que caiem
Os fluidos segregam-se
E unem-se numa paixão louca.

Talhado na penumbra,
Renasço ao amanhecer
De um dia em que o Sol queima
As cinzas do pretérito.
As sombras sorriem-me
Enquanto o Sol se eleva
Nesse céu que desejo
de uma imensa eternidade.
Passa o tempo
E as rosas elevam-se.
São elas a dar a cor
Aos segredos da terra.
Hoje tenho o Amor
E não brado o triunfo.
Deixo que o Sol
Ilumine o meu olhar.
E esse Sol tocou-me um dia
E despertou a alma adormecida.
És tu, sim, eu sei,
Quem me faz viver a luz.
Sei, sim, eu sei
Que és tu o meu Sol.
(16-9-2004)

foto: João Espinho
Distraído, passei pelo teu olhar
E fixei-me na expressão
De uns olhos dedicados.
Quando voltei a olhar
Senti a tormenta de uma emoção.
Não voltei a passar.
Porque fiquei colado
À emoção de um eterno olhar.

foto: João Espinho
Distraído, passei pelo teu olhar
E fixei-me na expressão
De uns olhos dedicados.
Quando voltei a olhar
Senti a tormenta de uma emoção.
Não voltei a passar.
Porque fiquei colado
À emoção de um eterno olhar.

Nessa noite rompemos o vento,
E na penumbra do fogo
Soubemos que o silêncio
É a palavra que usamos,
Pois nos olhos sabemos ler
As letras dos nossos segredos.

“Com os teus braços aqueceste o meu corpo
Com teus beijos secaste o meu suor.
As tuas mãos foram as carícias
Que me embalaram de paixão e amor.
(...)
A noite cai. As estrelas brilham.
E os corpos descansam
De um êxtase constante."

foto: Charles F.
Soubesse eu escrever ou fosse eu poeta, ter-te ia escrito estas palavras:
Nocturno - de Eduardo Valente da Fonseca
O desenho redondo do teu seio
Tornava-te mais cálida, mais nua
Quando eu pensava nele...Imaginei-o,
À beira-mar, de noite, havendo lua...
Talvez a espuma, vindo, conseguisse
Ornar-te o busto de uma renda leve
E a lua, ao ver-te nua, descobrisse,
Em ti, a branca irmã que nunca teve...
Pelo que no teu colo há de suspenso,
Te supunham as ondas uma delas...
Todo o teu corpo, iluminado, tenso,
Era um convite lúcido às estrelas....
Imaginei-te assim à beira-mar,
Só porque o nosso quarto era tão estreito...
- E, sonolento, deixo-me afogar
No desenho redondo do teu peito...

À beira mar vi o teu corpo nu
Avançar para o caminho que desenhavas.
Entre o Sol que se tapava
E a Lua que se despia
Ali estavas entregue ao teu horizonte.
Esqueceste e eu esqueci
Que o Mundo é também nosso.
Basta que se olhe o Universo
Se sintam os astros e as marés,
E ali estamos nós acariciados
Pelas ondas da paixão.
Voltaste e sorriste-me
Como uma flor que se abre ao Sol.
Quando te respirei
Enchi-me de aromas salgados.
Quando te beijei
Experimentei o sabor da volúpia,
Logo que te abracei
Senti a fervor do teu corpo.
Quando nos amámos
Vi nos teus olhos o brilho intenso
De uma alma que se entrega.
Soube então recitar os versos
De uma paixão que se escreve
Num arco-íris de mil cores
Que enlaça o espírito dos amantes.
Nesse fim de tarde
Não fui poeta.
Fui o homem que te segredou
O silêncio do Amor eterno.
Olhaste-me e percebi no teu olhar
Uma expressão de súplica.
Horas antes pediras-me um abraço, um beijo.
Ofereci-te uma noite.
Agora, no momento em que partes,
Prometes-me o Universo.
Digo-te uma vez mais que Não
E soltas um gemido
Como se ele fosse o primeiro da tua vida.
Não, não é o Universo que quero.
Bastava-me uma estrela
Ou só mesmo a Lua
Mas o teu Mundo não cabe em mim.
Porque eu não o desejo.
Da paixão ficará a palavra.
Do Amor o desejo.
Adeus!
(2003 - Julho)
Fecho os olhos
Sentado em frente a uma folha de papel
Que se mantém branca
E espera a minha escrita.
Deixo que as fantasias
Me transmitam a sensação
Do discurso que não existe
Das palavras que não ocorrem.
E sinto que no coração
As palavras batem
Como se fossem sentimentos
Fortes e suaves.
Nos sonhos olho o teu rosto
Descubro os teus lábios
Ouço as tuas palavras
Acaricio o teu rosto.
E sinto que tudo mudou!
Porque entraste no meu mundo
Dando-lhe a luz que se apagava
O sorriso que se ausentara
A alegria que murchara!
Sei agora outra vez
Dar sentido à palavra
Que não se esgotou
E que renasce todos os dias.
Queres falar de Amor comigo?
(2003 - junho)
Entrámos os dois no mesmo espaço.
Olhámo-nos.
Desafiamos os nossos sentidos
E quisemos jogar!
Primeiro um jogo sem palavras, sem gestos.
Um toque ligeiro nas nossas caixas electrónicas.
Depois as palavras sem sentido e consentidas,
O reanimar dos sentimentos adormecidos.
A alma desperta e ouve o toque,
Ainda lá no fundo,
De um coração ferido.
As janelas começam a abrir-se
Lentamente e receosas.
Mais um toque e um bater cá dentro
De um espírito alquebrado.
O amanhecer transforma-se num sorriso,
Numa enorme vaga de aromas de prazer.
A noite tem luares e as estrelas deixam cair
Por um tempo
Chuvas de felicidade e encanto.
O coração desperta.
Receoso.
Dos combates da véspera
Das feridas saradas e marcadas.
E hesita em querer bater mais forte.
Mas as estrelas e os luares
Dançam as vontades escondidas.
Nesse dia voltou a escrever.
E nessa primeira página
O coração do poeta suspira:
“Será que sou eu, meu amor?”
(Maio 2003)
Sei que ao abrir a porta
Me olharias.
Que estenderias os teus silêncios
Pela penumbra de um espaço
Onde há momentos nos encontrávamos
Ardentes em amor de loucos.
Sei que as tuas lágrimas
Seguiriam o rumo das águas
Perdidas da foz,
Que correm e alimentam outros mares.
Sei que nenhum murmúrio lançarias,
Que todas as palavras abafarias.
Sei, isso sei, que jamais gritarias perdão
Das culpas que te atormentam.
Mas sei que fechei a porta, de leve,
Para não acordar o sentimento da minha alma adormecida.
Um último olhar,
Antes de partir.
E já ali não estavas.
E foi nesse momento,
Nesse mais importante momento,
Que me vi reflectido
No espelho da minha felicidade.
(2002 - setembro)
Ao ver-te adormecer
Nos meus braços
Senti que tens em ti
A força de um Eclipse.
És a força do Sol
Que nos aquece,
Tens o fogo que me incendeia
E o sabor da marezia.
Tens o aroma de uma Noite
Em que vivemos a paixão
Iluminada de estrelas.
És o coração
Que bate forte
Como os beijos que trocamos.
Entre nós o nada,
Os nossos corpos fundem-se
E na alvura do leito
Vejo-te abraçada
Ao sonho de uma Lua
Que te sorri de encanto
E te diz as palavras
Que te embalam num sono
De paixão e Amor.
E beijo-te ao de leve
Nos lábios que contam
O encanto desse momento.
A fotografia da chaminé de Quintos inspirou um leitor (obrigado, Carlos). Que escreveu isto:
"Chaminé que és rainha
Dos céus sobre as telhas
Ouves das ruas ladaínhas
E dos tachos as centelhas
Escapando levezinhas
das brasas vermelhas
Encontram-se sozinhas
voando sobre as telhas
Dand´a telha o cheirinho
do piteú a apurar,
É ao lume do azinho
que se apura devagar
É ao cheiro da sombra
que a telha gulosa
sobre o beiral se dobra
E da rua goza
Da rua bem goza
com grande propriedade
Faz melhor poesia
que a telha d´ cidade
E p´ra todos provar
que digo a verdade
tenho um homem d´cidade
que me veio fotografar.
Oh telha vaidosa
diz a chaminé também
se não fosse eu
não serias ninguém
Tejam as duas caladas
que quero chapar
só há um momento
para fotografar
E assim lá ficaram
quedas de vaidade
o Janeca piscou
para a posteridade."
Naquele momento senti
Que fazia sentido estar ali.
Na fuga deste lugar,
Encontrei à beira-mar,
A imagem que buscava.
Só mesmo ali,
Naquele lugar, naquela hora.
Num momento
Foi o despertar dos sentidos.
E olhei-te!
Quando te vi
Soube que fazia sentido
O porquê de estarmos ali.
"Eterno, é tudo aquilo que dura uma fracção de segundo,
mas com tamanha intensidade,
que se petrifica,
e nenhuma força jamais o resgata".
Carlos Drummond de Andrade - "Reverência ao Destino"
(para quem quiser ler o poema na íntegra, clique aqui)
(...)
És terra e Ar.
És pessoa e animal.
És flor e és árvore.
És a forma feminina
De dizer a palavra Amor.
(...)
Na hora de insónia
Tenho o céu por companhia.
Que hora é esta
Em que a Lua se esconde
Para além das nuvens?
Dispo-me
E nu entro nessa orgia
Que é fazer poesia
A olhar os astros.
Na hora do êxtase
Digo-lhe as palavras
Com que ela me abraça
E as nuvens desaparecem.
Bem vinda insónia
Que me mantém os olhos abertos
Para que não se perca
Um só segundo desta visão.
Sim, a insónia é um sonho
Que dasagua na alma
Como a nossa paixão
Na alvura dos lençóis.
De paixão e amor
Falam os poetas.
De sonhos e insónias
Falo eu agora.
Que a Lua regressou.
E com ela o sonho.
Gostava de ser pintor
para te poder colorir uma tela
onde estivesse o Mar e o Sol,
a Lua e a Praia.
Não sou pintor.
Não sei desenhar essas telas.
Mas conheço o mar.
Sei que no rebentar das ondas
estará um pouco de mim
e muito do meu sal.
E sei que quando olhares o Sol
pensarás nas estrelas
e numa Lua que um dia será Cheia.
Este é o meu (a)Mar.
Esta é a aguarela que te posso oferecer.
ONDAS
Que nenhuma estrela queime o teu perfil
Que nenhum deus se lembre do teu nome
Que nem o vento passe por onde tu passas.
Para ti eu criarei um dia puro
Livre como o vento e repetido
Como o florir das ondas ordenadas.
Sophia de Mello Breyner Andersen
Há palavras que nos beijam
Há palavras que nos beijam
Como se tivessem boca.
Palavras de amor, de esperança,
De imenso amor, de esperança louca.
Palavras nuas que beijas
Quando a noite perde o rosto;
Palavras que se recusam
Aos muros do teu desgosto.
De repente coloridas
Entre palavras sem cor,
Esperadas inesperadas
Como a poesia ou o amor.
(O nome de quem se ama
Letra a letra revelado
No mármore distraído
No papel abandonado)
Palavras que nos transportam
Aonde a noite é mais forte,
Ao silêncio dos amantes
Abraçados contra a morte.
Alexandre O'Neill
(a pensar em ti)
Eu gostaria de ter um jardim.
Um jardim onde eu pudesse plantar, todos os dias, uma flor.
Uma flor por cada beijo que trocamos.
Cada flor seria um novo dia.
Nesse jardim eu deitaria, todos os dias, a água que elas precisam para crescer.
E mesmo que elas precisassem de alimento mais do que uma vez por dia, eu não me iria importar.
Até mesmo de hora a hora.
E todos os dias plantaria mais uma flor.
Por cada beijo que me dás.
Depois, eu deitar-me-ia nesse leito florido.
Sem que uma só flor se estragasse.
Sentiria o meu corpo ser envolvido por todas aquelas flores.
Elas deixariam o meu corpo com o seu perfume, como tu deixas o teu.
Eu sentiria a beleza delas a percorrerem suavemente a minha pele, como tu fazes com os teus dedos.
E em cada flor estaria um beijo teu.
Eu gostaria de ter um jardim.
Ouço a tua voz....
sem a ouvir!
Sinto a tua respiração...
sem a sentir!
Beijo os teus lábios...
sem os beijar!
Cheiro a tua pele...
sem a cheirar!
Abraço-te apaixonadamente...
sem te abraçar!
Perco-me em ti...
sem... Não!
Simplesmente me perco em ti
... e ....é... em ti que me reencontro.
(adaptado de um poema de Elfi Kaut, publicado no livro "Mails 4 You")