outubro 18, 2004

ENIGMA -25-

Alguém que estivera minutos antes ali, deixou escrito numa folha de papel amarrotado e em letra de forma:

"Não passes... Fica e permanece na minha vida. Bebe comigo o Sol que nos envolve e nos aquece. Chora comigo a Lua. Ilumina-me com a tua luz. Não passes...Fica um instante em mim: momento que na vida não tem fim!"

Que destinatário terá perdido a oportunidade de receber esta bela mensagem?
Ou aquele seria só um rascunho de uma declaração já enviada?
Um enigma à mesa do café.

Publicado por nikonman em 12:14 AM | Comentários (1)

outubro 12, 2004

ENIGMA -24-

É imprevisível. Sempre que lhe escrevo umas pequenas palavras, de presença, bom-dia, ou simples olá, ela responde-me com menos palavras ainda, mas com uma carga emocional extraordinária, que quase me deixam sem respirar.
Recentemente, pretendia convidá-la para um café ou uma água. O convite era simples: “Estás disponível?”. A resposta deixou-me embaraçado: “Não, enquanto tu existires”.
Não lhe consegui explicar o significado de um café ou de uma água.
São enigmas.

(este estava no baú)

Publicado por nikonman em 12:10 PM | Comentários (3)

outubro 05, 2004

ENIGMA -23-

Vejo por aí comportamentos bizarros que me entristecem.
São delírios expressivos ou disfunções sentimentais?

O enigma é, neste caso, saber até quando ocultarei esta dolência.

Publicado por nikonman em 05:47 PM | Comentários (1)

setembro 14, 2004

ENIGMA -22-

"Ela - No dia em que usares "sensitive", deixas de me olhar para a cara.
Ele - Porquê?
Ela - Porque é o que usam os homens infiéis."

Há enigmas que só as mulheres podem desvendar.

Publicado por nikonman em 03:40 PM | Comentários (3)

agosto 27, 2004

ENIGMA -21-

"Acordei com a sensação de ser um para-brisas. Afinal era o mosquito".
Vá-se lá saber o porquê deste enigma.

Publicado por nikonman em 01:46 PM | Comentários (0)

agosto 18, 2004

ENIGMA -20-

"Se eu virar do avesso o espelho onde me olho todas as manhãs, passarei a ter uma imagem diferente de mim?"

Seria um enigma, se o espelho não continuasse do avesso!

Publicado por nikonman em 04:44 PM | Comentários (1)

agosto 17, 2004

ENIGMA -19-

"Pode ter-se saudades do que está perto?
Porque é que ainda não partiste e já sinto saudades?"

Julgo que não seja enigma. Ou talvez seja.

Publicado por nikonman em 01:15 PM | Comentários (2)

agosto 13, 2004

ENIGMA -18-

"Como se pode ter a esperança de acordar uma manhã nos braços de quem se ama, se a pessoa amada não acredita na esperança?"
É um enigma que não pode ter solução.

Publicado por nikonman em 08:44 AM | Comentários (0)

agosto 10, 2004

ENIGMA -17-

Caminhava sem destino. Em busca de nada.
Do outro lado da rua vi uma cara conhecida. Muito familiar, mesmo.
Parei para ver melhor.
Era ela. A sorrir-me. Esperei que o trânsito me deixasse atravessar a rua.
Pelo meio de nós passou um autocarro.
A publicidade "Segue o teu caminho" passou à velocidade do transporte.

Do outro lado desaparecera aquele sorriso.
Será que a mensagem publicitária me era dirigida?
Um enigma.

Publicado por nikonman em 12:03 AM | Comentários (0)

agosto 04, 2004

ENIGMA -16-

Uma mensagem, estranha. No mínimo.

"Passei pelo café e vi-te.
Queria deixar no vidro do teu carro um papel a dizer: Je tm.
Mas não tinha caneta. Beijos".

Porque não me mandou então um sms a dizer isso mesmo?
Há enigmas....

Publicado por nikonman em 12:16 AM | Comentários (1)

agosto 01, 2004

ENIGMA -15-

Não sei como será o último acto desta peça que estamos (vamos) escrevendo.
Temo que quando o pano se fechar, esteja cada um em seu palco.
Tenho a certeza que nenhum de nós estará na plateia para aplaudir o outro.

Publicado por nikonman em 01:30 PM | Comentários (1)

julho 31, 2004

ENIGMA -14-

Estou com receio. Por mim.
Ao deixar permeabilizar-me, parece que novas cercas vou criando.
De uma repentina disponibilidade, tomo consciência de uma cada vez mais acentuada resistência.
Cada minuto que passa é uma porta que se fecha. Bem trancada.
Quase com a certeza de que nunca mais se reabrirá.
Terá mesmo que ser assim?

Publicado por nikonman em 09:55 AM | Comentários (1)

julho 29, 2004

ENIGMA -13-

Transformam-se em estilhaços dolorosos, em pedaços de sofrimento. Os momentos desejados e constantemente adiados.
Quando, finalmente, nos reencontrarmos, ainda estaremos disponíveis?
Enigma que tarda em encontrar solução.

Publicado por nikonman em 11:08 AM | Comentários (1)

julho 20, 2004

ENIGMA -12-

Não estarei a ficar subitamente fascinado pela paisagem que se me oferece? Serão, de facto, reais estas imagens?
O caminho é sinuoso, cheio de dificuldades. Algumas inesperadas, muitas previstas. Todas elas dolorosas. Não sei como amortecer tanto solavanco.
Procuro mudar de rumo ou continuo neste trilho? E se daqui a pouco já for tarde para mudar de rumo?
Não estou com vontade de equacionar estes enigmas.

Publicado por nikonman em 07:47 AM | Comentários (0)

julho 09, 2004

ENIGMA -11-

“A tua ausência perturba-me”.
Escrevi a mensagem sem saber quando a enviar.
Tinha a certeza que a enviaria, mas queria escolher o momento. Uma oportunidade em que a mensagem fosse lida e obtivesse o efeito desejado: que fosse como uma prova!
Mas a distância, essa distância que nos separa, é tão mais difícil de percorrer quanto mais perto nos sentimos.
Não consigo, ou não quero, entender a relação entre ausência e distância.
Será um enigma efémero?

Publicado por nikonman em 05:53 PM | Comentários (5)

ENIGMA -10-

Não sei que caminho é este que estou a trilhar. Vim por aqui, sem olhar bem para as placas.
Não tenho nenhuma indicação. Tão pouco sei se tem rumo.
Parece-me um caminho embelezado de árvores vistosas e frescas. O Sol penetra pela sua folhagem e deixa um rasto de luz que encandeia agradavelmente.
Mas é um caminho cheio de ruídos.
“Então vamos abafar o barulho do exterior, para sentir o silêncio interior”.

Publicado por nikonman em 05:34 PM | Comentários (2)

julho 08, 2004

ENIGMA -9-

ARREFECEU.
Tal como eu esperava (mas não desejava).
Vou ter que procurar um agasalho.
Ou talvez esperar que este tempo de arrefecimento seja passageiro.
Não sei.
Algo me diz que não devo aguardar por nova vaga de calor.
Um enigma.

Publicado por nikonman em 12:01 AM | Comentários (2)

julho 07, 2004

ENIGMA -8-

"Como te sentes quando estás comigo?". Há perguntas enigmáticas. Pensei que o simples facto de "estar" encerraria já em si uma atitude. Não me imagino "estar" com quem não quero estar. Mas às vezes acontece. Daí, talvez a questão. A que respondi de forma pouco original. Talvez mesmo nada original. Transcrever um trecho de uma lírica musicada pode denotar falta de inspiração. Mas aquela letra é tão expressiva, que não resisti.
Parece-me que alcancei o efeito desejado. Ficámos ambos felizes.
Porém, achei que deveria acrescentar algo mais. Mandei-lhe um simples "sabes que eu gosto muito de ti?". Não esperava resposta, até porque a pergunta era toda ela uma afirmação.
Estranhamente, veio uma resposta: "sim"!
Logo de seguida, desarmou-me: "Porque me perguntas?"
Não respondi. Porque não fiz nenhuma pergunta. Fiz uma declaração.
Será que ainda espera pela resposta?
Enigmático, de facto!

Publicado por nikonman em 09:43 AM | Comentários (3)

julho 06, 2004

ENIGMA -7-

Queria escrever-te. Algo de especial. Neste dia especial.
Não fui capaz.
Mas fico com a alegre sensação de que compreendes as palavras ausentes.
É isso.
As palavras fugiram para dar lugar ao enigma desta emoção.
Psssssss, não digas nada!

Publicado por nikonman em 12:28 AM | Comentários (0)

julho 04, 2004

ENIGMA -6-

Depois, ele escreveu-lhe "Inesquecível". Ela respondeu-lhe: "Memorável".
Serão sinónimos? Ou antes interpretações temporais de um dado momento?
Poderemos esquecer aquilo que temos na memória?
Enigmas.

Publicado por nikonman em 09:36 AM | Comentários (1)

julho 03, 2004

ENIGMA -5-

À despedida, entre os votos de uma boa noite, de um dorme bem, de mil beijos e desejos de bons sonhos, respondi-lhe: “Não tenho tempo para sonhar”.
A relação terminou ali.
Será que entre duas pessoas que se estão a apaixonar não se pode dizer que não há tempo para sonhar?
Enigmas.

Publicado por nikonman em 08:09 PM | Comentários (0)

julho 02, 2004

ENIGMA -4-

Saiu com a promessa de voltar uma e outra vez. Tantas as vezes que eu a desejasse.
Pouco depois o telemóvel mostrava: "Se não fui o que tu esperavas, sinto muito (seria uma pena). Beijos onde mais queiras".
Não respondi.
Até hoje nunca mais me ligou.
Enigmas.

Publicado por nikonman em 10:25 AM | Comentários (0)

junho 30, 2004

ENIGMA -3-

Escrevi-lhe a mensagem: "Vou sair por 1 ou 2 horas da tua vida. Estarás, porém, na minha imaginação".
No momento em que lhe ia enviar aquela declaração, fiquei sem bateria no telefone.
Não chegou a saber que não a traí!

Publicado por nikonman em 07:12 AM | Comentários (4)

junho 29, 2004

ENIGMA -2-

É à noite que a casa se povoa de sons. Sei identificar cada um deles.
Como num sonho, sei quem se desloca em direcção ao meu leito. Conheço-lhe os aromas, os passos ligeiros, às vezes mais inquietos.
Sei precisamente em que momento os corpos se fundem numa paixão desmedida.
Também sei, quando acordo, porque é que aquele corpo deitado ao meu lado pertenceu a um sonho.
Mas sei que há sonhos que são realidade.
É um enigma.

Publicado por nikonman em 12:27 AM | Comentários (0)

junho 27, 2004

ENIGMA -1-

Já é a segunda noite (seguida) em que me deito mais tarde do que o habitual.
Há algo que me agita e me roga: “Não te deites!”
Vou combatendo o sono ao som do teclar de uma escrita que parece não ter fim.
Sem sentido, algumas das palavras aparecem e assemelham-se. Fogem para o mesmo significado.
Sem razão aparente, por estes dias apetece-me repetir uma e outra vez o olhar estrelas.
No firmamento e em terra.

Há pois qualquer coisa que me diz: “Não vás!”
Intrigado, estou tentado em ir.
Só assim saberei se a cama onde me deito é a mesma que acolhe o meu corpo.
Enigmas!

Publicado por nikonman em 02:42 AM | Comentários (3)

abril 05, 2004

SO IST DAS LEBEN!

Sabia que ela tinha o gosto da escrita. E pela Literatura. Que já havia publicado algumas letras, em forma de estudos – ou ensaios, quando ainda frequentava a Faculdade de Letras. Foi aqui que a conheci. Ou melhor, foi na Universidade que a reconheci.
Sempre lhe apreciara as formas e o pisar elegante nas passadeiras da praia. Era então uma jovem com ar rural, mas percebiam-se-lhe intenções urbanas.

Quando a reencontro nas aulas de Introdução aos Estudos Linguísticos, destacava-se por cuidar da pele e dar retoques na pintura, isto perante o plenário, que eram as nossas aulas na Universidade. Nada a incomodava, muito menos as permanentes citações a Saussure, sim o Ferdinand, que nos dava cabo da cabeça. Tal como ela.
Curiosamente, as suas notas nos testes suplantavam largamente a média geral (que já era bastante alta).
Foi numa aflição em Alemão que ela se socorreu de mim.
Fizemos logo um contrato: os trabalhos de Língua Alemã (em grupo, pois claro) seria eu a fazê-los. Escreveria o seu nome como tendo participado na elaboração da tarefa.
Em troca, o meu nome constaria nas aflições das Literaturas.
Com esta estratégia, víamo-nos com menos frequência.
Era por vezes o comboio que me trazia para o Sul, e a ela mais para sul ainda, o local onde fazíamos um balanço da semana.
Os tempos correram – fugiram!
Eu virei-me para o lado que me dava mais conforto e ela desapareceu.
Foi com grande surpresa que, há dias, lhe reconheci o perfume, uma mistura de eucalipto e pinheiro.
Teria voltado às origens?
Sem tocar no açúcar do café que estava na sua frente, desenrolou a sua vida, mexendo porém a colher, como se esse movimento fosse o espelho da sua vida.
Reconhecemo-nos em vários pormenores.
Eu, no entanto, fiquei boquiaberto quando me descreveu a sua actividade de assessora da administração de uma grande empresa…alemã. E que estava a residir na grande metrópole berlinense.
Não lhe perguntei, mas certamente que guarda carinhosa e agradecidamente cópias dos trabalhos (em grupo) que fizemos na Faculdade.
So ist das Leben!

Publicado por nikonman em 11:32 PM | Comentários (3)

abril 04, 2004

A AMIGA

Desde que a conheci, sempre assim foi. Inconstante. Imprevisível.
Saltava de compromisso em compromisso.
Isso obrigava-a a ir de mesa em mesa, de café em café.
O primeiro emprego também não a segurou. O segundo não sei se ainda o mantém.

Depois, com o tempo, corria pela noite à procura de um desconhecido que lhe oferecesse um ombro, um carinho ou, como ela dizia, uma malícia (tinha algo a ver com carícia, mas era diferente).
Nunca encontrou ninguém à sua medida.
Os obstáculos que criava, faziam-na fugir. Mas a culpa não era dela.
Com o aparecimento dos telemóveis, a amiga ficou ainda mais estranha. As mensagens, os toques, a permanente solicitação para novos encontros.
Enquanto trabalhava, era-lhe proibido andar no frenesim das chamadas, mas descobriu a forma de, durante essas horas, estar em contacto com o seu mundo. Colocava discretamente o aparelho entre os seios, em modo de vibração, e assim ela vibrava à chegada de cada mensagem ou toque não atendido. Sentia-se feliz, vibrava, porque sabia haver alguém a pensar nela.
Agora, soma as vibrações aos contactos com os messengers na net. Comprou, ou pediu emprestada, uma webcam. Vive refugiada nas vibrações de um smile, de um kiss ou de uma rosa que lhe oferecem.
Liga e desliga! E sempre que sabe que estou por ali perto, com receio que a veja, desliga-se. Desconhece as tecnologias. E volta a ligar-se.
E eu sento-me a olhar a sua fotografia, com pena de a ver pendurada numa linha.
Todos temos uma linha. A da amiga é assim.

Publicado por nikonman em 07:08 PM | Comentários (2)

abril 03, 2004

ARRUMAR A CASA

Como podem verificar, a casa ainda está sem mobiliário. Tem o frigorífico ligado - sinal que há corrente nas tomadas - e a única lâmpada que está a funcionar é mesmo e só a do frigorífico.

Tudo o resto está ainda na casa antiga. Estou à espera da ajuda preciosa do dono do imóvel, pois só ele é que tem as chaves das portas das diversas assoalhadas.
Esta fase de não estar num lado nem no outro tem as suas complicações.
Ontem à noite, por exemplo, quis convidar uma companhia agradável para vir tomar um chá de ervas galegas mas, como era de esperar, não tinha chávenas disponíveis. Ainda fiz a proposta de virmos para esta casa, mas aí a coisa tornava-se complicada, pois aqui ainda não tenho água.
E não sei fazer chá sem água.
Ficámos pela casa antiga, mas com um certo desconforto.
Decidimos então ir dar uma volta, a ver a nocturna bejense.
Desinteressante. Morta. É assim a cidade em tempo de férias.
Vamos então deitar, foi o que dissemos!
A meio do caminho expliquei que não sabia onde tinha a cama.
Se na casa velha se na nova.
Ah! E os lençóis?
E....
Acabámos por ver nascer o Sol junto ao Cemitério.
Era por ali que passaria a "boleia" da minha companhia.
Desconfio que nunca mais aceitará um convite para beber chá comigo.

Publicado por nikonman em 05:42 PM | Comentários (3)