Do leitor Rui Alexandre recebi o seguinte:
"(...) "Domingo, 31 de Julho. Regresso da magnífica costa alentejana, de uns dias formidáveis de mar revolto, bom peixe e boa carne. Já em Beja, (porque as compras ficaram para segunda-feira) decidimos ir jantar num dos restaurantes da cidade. Colocam-se hipóteses: Pulo do Lobo, Barba Ruíva, o novo do parque da cidade, o novo do "João", que estava no Pulo do Lobo...etc.
NENHUM estava aberto. Nem estes, nem outros, entre os quais se incluem as pizarias, que num fim de férias muito poderiam servir (à falta dos outros). Corremos toda a cidade, morta de tédio, resultado de um Domingo em que a maior parte dos seus transeuntes se deslocou para o Algarve ou para essa enorme praia, extensão do distrito de Beja, que é Monte Gordo.
Nem uns frangos para fora, nem uma esplanada para uns petiscos!
Finalmente, decididos em regressar a casa para umas salsichas, lá nos cruzámos com o "Muralha". O único pelos vistos. Enquanto jantámos seguramente saíram mais de 50 frangos para fora e já lá chegámos passava das 21:30h.
O meu intuito não é, no entanto, fazer qualquer tipo de publicidade ao Muralha, mas perguntar onde andavam todos os outros senhores, que tanto lutam pela revitalização do centro histórico da cidade, mas que num Domingo, mudança de quinzena, se deram ao luxo de ter as portas fechadas a todo e qualquer turista que decidisse parar em Beja para jantar?(...)"
Este leitor tem toda a razão. Ao Domingo Beja mais parece uma cidade fantasma. Tudo encerrado. Restaurantes abertos são uma verdadeira excepção.
Alguém falou em crise?
Correio do Leitor:
"Quem disse que só o natural é que é bom? Já experimentei a comer uma febra de porco preto ao natural.
Assim sem mais!
É intragável.
Nada como uma boa depilação num lume de estevas, levar-se o corte ao ponto e dar-lhe calor que chegue à base da pedra de sal.
Depois, quando estiver na cor que se quer, é saborear. Há quem goste mal passado.
Eu prefiro dar-lhe o tempo certo.
Passado sim, mas, ao ponto de estar ainda macio.
Na zona onde se conseguem descobrir os sabores ocultos."
by Charlie - em abril 8, 2005 01:29 PM
Contribuição enviada por Pandora

sobre as tuas palavras
diria instinto ou onda
destino que não recuso
visto-me de espera
e as borboletas num volteio…
no teu abraço quente
abro a porta
e entras, e tudo é teu…
as borboletas como loucas
águas de verão no fogo da pele
sentes as suas asas leves?
sobre as tuas palavras
diria lua ou núvem
elixir que bebo de uma vez só.
tatuagem...

A contribuição enviada por Mad:
"A noite nasce com todos os seus cheiros.
A humidade no ar cria um manto que me envolve e acaricia a pele.
São estas gotas no ar que me trazem o teu cheiro.
O cheiro da Lua.
Gotas de mil cores que emanam o aroma do elixir da vida.
O néctar da paixão que escorre sempre que a noite e a lua se juntam.
É na noite que os amantes se entregam.
É na noite que a paixão é fiel aos corpos.
É na noite que os desejos se concretizam.
Quando cada estrela é sinal do amor que brota em cada gemido.
Corpos dourados pela luz do fogo, suados, colados,
formando um só.
Numa valsa de erotismo e sensualidade.
Este amor é tudo quanto existe debaixo do céu e para além das estrelas."
Este espaço é seu. Escreva aqui o que entender. Será publicado posteriormente em posta dedicada aos leitores.
Obrigado!
(Pode ver aqui a participação dos leitores)
Um contributo de Charlie:
Apaixonei-me por uma figura virtual
Daquelas que sem existirem de verdade
tem mais verdade na sua realidade
que alguma vez a verdade na vida real.
E sendo verdade o que fixa a mente
Tanto faz que seja real ou fantasia
sofro, choro e tenho toda a alegria
com um ser que não sendo, é-o realmente
Escrito por Susana:
Hoje,
que recordo o ontem, sinto-me muito mais feliz!
Até as folhas recortadas de Outono me pareceram troçar do vento na sua descida leve até à realidade.
E os sons urbanos parecem-me mais consonantes com os campestres.
E assim, hoje - que recordo o ontem - parece-me que o Mundo está mais bonito e que eu sou mais feliz.
Deixado por Monalisa:
Dás-me licença
De entrar na tua vida
E pendurar na parede da tua sala
A minha janela?
Posso desarrumar tudo
Tirar os sapatos
E estender-me no teu mundo ?
Espalhar nos teus minutos
Toda as dúvidas
Que trago comigo ?
Passear descalça pelo
Corredor das tuas certezas?
Desfazer a tua cama
e dormir atravessada nos teus sonhos?
Posso entrar e sair de casa
Dás-me a chave
E não me marcas horas?
Posso voar ?
Daqui onde estou presa
Para a tua vida inteira?
"Escrevo o que entendo?
Pois entendo que não devia pagar propinas na Universidade, e só porque o Reitor da Universidade de Évora entende o contrário, tenho que pagar 800 e muitos euros.
E acabei de chegar de lá e estou gelada. E estou desgostosa... Triste com o meu país...
Na aula onde estive até há pouco, durante duas horas, todas as pessoas estavam com casaco vestido, com cachecóis a protegerem tudo o que podiam, com vontade de ir para um lugar mais agradável. Porque não há aquecimento. Porque quem diz que temos que pagar ao nível do que outros pagam não sabe a que nível recebemos... salários e formação.
Como a matéria se relacionava com a utilização de um programa informático de tratamento de dados, e segundo o professor não existe nem tempo lectivo disponível, nem meios para essa aprendizagem, surgiu como hipótese a compra dessa formação em empresas da especialidade. A pagar a preços da Europa.
E agora dou por mim a cogitar que algo está mal. Não confere o nível de rendimentos do meu agregado familiar, o nível de expectactivas para a educação/formação dos seus membros, os custos inerentes e a qualidade respectiva. E não confere a realidade que observo e vivo, com a realidade a que se referem os muitos analistas e defensores do sistema de propinas. Gostava de poder dizer: não pago! Se o fizer e for consequente, apenas consigo contribuir para as estatísticas que colocam o meu país na cauda da Europa dos 25 em matéria de formação. Como também nunca votei nos governos defensores de propinas, o que posso fazer? Escrever na Praça Pública?"
ass: maria c.
CORRESPONDÊNCIA
Apesar de estar inactivo, o sistema de comentários continua a funcionar através de e-mail.
Fica aqui a correspondência trocada entre mim e o Caves do Comandante, sobre as intervenções urbanísticas que têm sido efectuadas em Beja, no cumprimento do Programa POLI's.
Diz O Comandante, sobre o que eu escrevi:
«Não pretendi de modo nenhum defender uma intervenção que, em primeiro lugar, não é minha e, em segundo, penso não ter sido feita. Não a verdadeira, a necessária. Essa ficou por fazer. No meu humilde entender, pelo menos...
Em relação à perspectiva histórica, Portugal passou no último século, por alterações de visão face ao património que nos fazem ver hoje o património como uma coisa quase intocável. Resta saber o que é património. O que interessa defender e como fazê-lo. Compreendo que as pessoas se apeguem a uma imagem com a qual cresceram mas, seria essa aquela que interessava defender? Seria porventura mais interessante, até do ponto de vista histórico, ir buscar uma lógica anterior? Não sei. Penso que também não. Seria uma coisa a estudar, porém. Mais uma vez, não quero defender nada. Apenas levantar questões. As opções da arquitectura davam um artigo, um livro, um blog.
Mais uma vez sublinho, não quero aqui defender qualquer das intervenções. Não me cabe fazê-lo. Preocupa-me mais, isso sim, a intervenção de fundo que a nível de política urbana, Portugal (e não só Beja) vem adiando por falta de coragem em contrariar tendências de mercado ligadas a interesses económicos. Beja (e Portugal) não está só a ignorar o passado. Está a fazer a mesma coisa em relação ao futuro. Não só esquecemos o centro histórico como crescemos mal. Se existe mal-estar quando falamos do Polis, devia haver um motim quando olhássemos para tudo o resto. Um mal bem mais difícil de desfazer do que algumas (sublinho "algumas") intervenções que há por aí.»
Ao qual eu respondi:
"O que me custa ver nesta cidade é, essencialmente, e como alguém aqui disse, querer fazer-se dela uma urbe moderna, quando se deveria estar a apostar numa intervenção pós-modernista. Não houve ambição, não se apostou na inovação, evitou-se o "choque". O retoque que se lhe está a fazer tem 2 aspectos negativos:
a) não embelezou a cidade (logo não a tornou mais atractiva);
b) descaracterizou-a (será cada vez mais ignorada).
Quando me refiro aos aspectos patrimoniais históricos não estou a dizer para se deixar estar tudo como está (para futura memória). O que eu gostaria é que a nossa cidade mostrasse as suas entranhas históricas, em co-habitação com uma arquitectura urbana arrojada. E a Praça da República poderia ter sido o início desse projecto.
Numa cidade que não tem tecido industrial, que vive de pequenas (micro) empresas, os seus governantes deveriam apostar em, por exemplo, turismo cultural. Vamos por essa Europa e sabemos o que vemos.
Tenho pena que se tenha perdido esta oportunidade. Em seu lugar, fizeram-se desarranjos urbanísticos fatais para a sobrevivência do núcleo central da urbe. E, meu caro, não há volta a dar-lhe.
Quando se chegar ao fim desta maratona que é o POLI's, em que alguns dos projectos ficarão eternamente adiados (não acredito na obra da Av. Miguel Fernandes), chegaremos à conclusão que, com o mesmo dinheiro, e sem dispersão das intervenções, se poderia ter feito muito melhor.
Obviamente que o tema não encerra aqui."
É claro que não encerrou.
Responde o Comandante:
"Parece que, afinal de contas, até estamos de acordo. Entramos, no entanto, numa área de discussão tão vasta quanto complexa. A falência da arquitectura contemporânea. Não estou falando obviamente
da arquitectura dos grandes mestres que, regra geral e independentemente do seu (in)sucesso, têm sempre muita coisa a ensinar. Falo dos noventa e tal por cento da arquitectura que é feita à "maneira de", recheada de formalismos gratuitos, desprovidos de sentido de responsabilidade histórica e arquitectónica. Desconhecimento? Ignorância? Também. Mas o panorama nacional também não favorece o aparecimento de Arquitectura com "A" maiúsculo. Favorece a banalidade, o deja vu. Como dizia no início, a falência da arquitectura contemporânea está umbilicalmente ligada à falta de alma que tão bem mencionou, embora por outras palavras. E essa alma, como também disse, faz-se de riscos, de contrastes, de compreensão, de capacidade, de inteligência e de um conjunto de outros atributos muitas vezes esquecidos. Falta de coragem? De quem? Enfim. De facto, acho que no caso das intervenções que nos trouxeram aqui, falta alma, conteúdo. Artisticamente, a contenção, a minimalização das intervenções é dos processos conceptual e formalmente mais complexos.
Infelizmente (?), grandes e complexas intervenções "consensuais" só se conseguem sob regimes ditatoriais... Cruzes!"
do Pedro Lameira recebemos a seguinte mensagem:
"Desejo a todos os utentes da Praça um bom ano 2004!!!!
Tenham cuidado com os excessos no 1º dia do ano. Não se podem esquecer que
terão ainda 364 dias para fazer do ano 2004 o melhor ano das vossas vidas.
Saudações Pax "Julianas"
Pedro Lameira"
Obrigado, Pedro!