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CONTO DA MADRUGADA

A minha cama é de linho.
Explico melhor. Gosto de dormir em lençóis de linho, dão-me conforto, trazem-me ao sono os sonhos que desejo. Herdados ou oferecidos, tenho-os também com monograma, gravados com letras desusadas. São meus, parece ser a mensagem que transmitem. Alguns têm já anos e corpos a mais.
Naquela noite ela estava excessivamente possessiva. As suas pernas entrelaçaram-me ainda o meu torso não havia tocado a cama. Agarrou-se a mim como se fosse a sua presa, devorando-me em sofreguidão inconsciente. As suas mãos cravaram-se-me nas costas violentamente, deixando no linho marcas de sangue. Do meu e do seu corpo.
Não a culpei pela decisão de me desfazer daquele tecido condenado a uma mancha eterna. Levou com ela os restos de uma noite e de um lençol e evitei que regressasse ao leito onde me havia marcado e deixado a sua marca.
Há dias, ao passar numa das ruas da cidade, vejo-a a sair de um restaurante, trajando um top justo em linho e com um monograma meu conhecido.
Não vi vestígios de sangue, mas o olhar que me lançou menstruava malícia.

Comments

Em Roma sê... "lagarto"

@pódarroz - ainda bem!

Bem me parecia!!!!!

@pódarroz - não sendo propriamente conselheiro de imagem, sugiro que não use tops com monogramas!

@são - vai a caminho!

Tenho um top desses....não sei o que fazer com ele!!!!

Tu... cóf... cóf... cóf... se fosses um gajo amigo... cóf... cóf... cóf... cóf... cóf... publicavas esta maravilha... cóf... cóf... cóf... no blog porcalhoto... cóf... cóf... cóf... cóf...

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