DAS MEMÓRIAS

foto: k. kaminski
Abro as gavetas e os caixotes a que chamam baús e saltam as memórias adormecidas num recanto que se desejava intemporal
nem pareces tu
mas olha que sou mesmo
e são também os escritos de um tempo disforme, enevoado, mas cheio das riquezas de uma juventude de intenções e intensidades
escreveste dessa forma?
não tinha alternativa
mas as recordações liquidam-se no simples gesto de arremessar para um saco preto
porque fazes isso?
apetece-me acabar aqui
que irá percorrer lixos e lixeiras.
Como as memórias, os factos atravessam esta esquina e deixo-me estar na quietude de um espaço que quero presente e futuro.
Comments
gooooool!!
Posted by: ligia evanovich | janeiro 18, 2007 06:31 PM
adorei este texto...tou sem palavras
Posted by: Tété | janeiro 15, 2007 10:45 PM
Textos sólidos. Bonito tudo.
.
Uma vez ouvi alguem dizer, (aguém de que não me recordo bem o nome, apenas lembro que era mulher e que me assustei como sua pele era horrivelmente branca) que as gavetas nos revelam incovenientimente.Acho que os Grifos também.
Boa noite.
Posted by: Thaís Arnaut | janeiro 15, 2007 01:39 AM